Farol OcupAções

O processo de criação audiovisual do vídeomapping Farol | OcupAções ¹ teve inspiração nas intervenções do Cine Ser Ver Luz realizadas com o Farol do Mucuripe, trazendo à tona questões|problemas que sugerem o urbano como plano de intervenções e a arte como política que inventa outros modos de habitar|ocupar a cidade. Nas palavras de Migliorin (2016, p. s/n), “Não se ocupa para manter o mesmo, o já existente, o que o espaço é e os sujeitos são, mas para fazer da ocupação um processo de criação”.
Nos estudos de Emília Schramm, durante a bolsa de iniciação cientifica, intensificamos o convívio com os moradores, e nas escutas atentas foi possível observar aproximações entre os sentidos que o Farol assume na vida dos moradores e o conceito de menir (CARERI, 2013). No diálogo com Pedro Fernandes, morador e ativista do Serviluz , essa aproximação conceitual tomou corpo, pois para Pedro, além de ser o seu “parque de diversões” o Farol “sempre foi um ponto de encontro, em que as pessoas namoravam, se encontravam pra conversar, observar o sol, a Lua...”, ou seja, um monumento simbólico que se fortalece por ser também um ponto de encontros e celebrações. De Bruno Ribeiro (Spote), artista visual e morador do Serviluz, escutamos que o Farol “guiou muitos povos ancestrais antes da gente, e a gente continua aqui, né, existindo como ele, e isso vai crescendo mais e mais. O Farol nunca deixou de ser guia da gente...” . Essa narrativa vem confirmar os escritos de Careri (2013, p. 52) quando compreende menir como o que “[...] institui um tempo zero que se prolonga na eternidade e um novo sistema de relações

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com os elementos da passagem circunstante”. É imprescindível ressaltar esse novo sistema de relações, visto que, hoje, o Farol não é o mesmo de, pelo menos, oito anos atrás, quando iniciamos a nossa primeira pesquisa. O processo de criação da projeção mapeada teve como disparador os filmes apresentados durante a V Mostra Audiovisual do Titanzinho, principalmente os que foram realizados por moradores do bairro. Ela foi projetada no entorno da parte de cima do Farol e, nesse espaço, sendo que as imagens dos filmes foram organizadas e editadas no instante da intervenção, pois aprendemos, durante nosso convívio com o bairro, que o momento presente pode incitar novas sensibilidades.

Com esse conjunto de imagens e afetos em movimento, foram combinados trechos de textos falados como O que é uma ocupação de Migliorin, e Resistir, de Janaína Furtado e Andréa Zanella, do livro Pesquisar na diferença: Um abecedário, além de trechos de entrevistas com alguns moradores do bairro. Essas gravações foram editadas com acompanhamento musical de sonoridades do violão, compostas por Emília Schramm, que além de experiência com a composição de canções observou a força da música, tão marcante nas ações de ocupação do Farol, em especial, o Sarau Farol Roots, realizado pelo Coletivo Servilost e colaboradores. Observamos a necessidade de realçar o novo sistema de relações, considerando tanto as mudanças na degradação da estrutura do Farol como na paisagem e nos modos de ocupar e ser ocupado pelo entorno. O que parece evidente nas falas e ações dos moradores do Serviluz é a atitude de continuar ocupando e, assim, inventando o Farol.
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 ¹ Texto de apresentação do Farol OcupAções compõem o artigo o artigo FORTALEZAS (IN)VISÍVEIS: INTERVENÇÕES URBANAS E AUDIOVISUAIS de autoria de Deisimer Gorczevski, Aline Mourão Albuquerque,  Emília Schramm Duarte publicado na Arte e Transmidiações - Anais do 3º Congresso Intersaberes em Arte, Museus e Inclusão; III Encontro Regional da ANPAP Nordeste e 8ª Bienal Internacional de Arte Postal. Mais detalhes estão disponível em: https://www.even3.com.br/anais/3ciamiufpb2020/264463-fortalezas-(in)visiveis--intervencoes-urbanas-e-audiovisuais/
ISBN: 978-65-88243-65-7

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