MOSTRA AUDIOVISUAL DO TITANZINHO

Iniciado em 2011 e itinerante desde 2013, a Mostra AudioVisual do Titanzinho é um evento colaborativo anual, dedicado à partilha de criações e produções sonoras, visuais e audiovisuais feitas com o bairro Serviluz por moradores, artistas, estudantes, educadores e pesquisadores. A curadoria da mostra conta com uma etapa de busca ativa por produções locais, em que se abre um diálogo com o bairro, via redes sociais e andanças pelas ruas, para receber indicações. Propõe, assim, impulsionar a circulação das produções e promover conversas em torno dos processos de criação, assim como de experimentações artísticas, políticas e comunitárias.

Há filmes feitos com diversos territórios do bairro Serviluz, como o Titanzinho, a Estiva e o Campo; ruas Pontamar, Leite Barbosa, Murilo Borges, Vicente Castro e Titan; e praças Tiago Dias, São Francisco e Pracinha da Nezita Pereira; o Farol do Mucuripe e outros tantos espaços comuns do bairro. Sendo um evento de rua (Figura 3), é aberto a todos da vizinhança; esse modo de exibição, na medida em que interfere nas dinâmicas do cotidiano do bairro, também recebe interferências dele. 

Nesse processo de montagem e exibição, a gambiarra tem seu lugar como estratégia ao mesmo tempo artística e técnica. Esta proposição ganhou ainda mais força com a visita de Fred Paulino trazendo a experiência do Gambiologia, em uma oficina, realizada em 2016, no Ateliê Mestre Noza, na UFC. Na ocasião, Fred, ao percorrer as ruas do Serviluz durante a preparação de uma sessão do Cine Ser Ver Luz, ressaltou a potencialidade da gambiarra como uma das expressões mais sensíveis e inventivas dos seres humanos. A improvisação e o faça-você-mesmo são parte da gambiarra, que se preocupa, num contexto de limitações socioeconômicas, com o “uso consciente e crítico das tecnologias disponíveis” (PAULINO, 2021, p. 21).

Cópia de IMG-2001.JPG.jpg
  • YouTube

/ColetivoAudiovisual

facebook_logo_icon_147291.png

/cineclubeserverluz

1597748.png

@mostratitanzinho

Entre o cinema e seus espaços de encontro e convivência, o bairro experimenta sua força e (re)inventa a si mesmo, sua memória. “Essa geração local de novas sociabilidades, vividas na emoção, permite soluções locais e globais através do que fazemos todos os dias” (SANTOS, 2006, p. 24). Fabíola Gomes, moradora do Serviluz, ao pensar em audiovisuais que colaboram para a criação da resistência do bairro, nos fala de um “regime de cumplicidades” com o qual o bairro opera,

"[...] como se cada pessoa de cada família fosse a ‘molécula numa rede, uma rede molecular’. Nossas idas e vindas fortalecem e criam constantemente novas formas de estar juntos. Nossa resistência – que para alguns, apesar de toda a luta, ainda é imperceptível – tem sido o que nos mantém unidos apesar das adversidades (GOMES, 2017, p. 24)."

Um bairro que, ao viver na pele as segregações, tece suas redes, tramando com mais força os laços de amizade e vizinhança. A programação de todas as mostras realizadas, desde 2011, pode ser conferida no acervo online do Cine Ser Ver Luz.

  • 1597748
  • facebook_logo_icon_147291